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No âmbito do programa de voluntariado da Associação de Comités Olímpicos Nacionais Francófonos (AFCNO) Cabo Verde recebeu, em 2017, um voluntário francês que esteve envolvido em vários projetos do Comité Olímpico Cabo-verdiano, incluindo o ensino da língua francesa a agentes desportivos.

O programa que renova a cada ano com um novo voluntário, pretende auxiliar os Comité Olímpicos Nacionais (NOCs) ao redor do mundo no dominio da lingua francesa, lingua oficial do Comité Olímpico Internacional, mas também integrar voluntários em projetos dos próprios NOCs.

Nesta entrevista recebemos Léo Moreau que fala da sua expêriência em Cabo Verde, depois de um ano de missão.

COC: Como foi a experiencia no Comité Olímpico e em Cabo Verde?

LM: Foi um ano muito enriquecedor para mim, tanto ao nível profissional como ao nível pessoal. O ambiente de trabalho do COC, muito agradável e solidário, me permitiu integrar-me rapidamente, através do entendimento das missões e das necessidades da instituição, e através da minha aprendizagem progressiva do crioulo. Com o meu interesse pelo desporto e as minhas varias experiencias nesta área, não foi difícil alimentar a minha motivação e melhorar a minha compreensão dos desafios do Comité e do desporto cabo-verdiano.

Além do contexto profissional e de forma mais geral, gostei muito do país, do seu povo e da sua cultura. A história e as heranças complexas deste país me interessaram desde o inicio, enquanto não conhecia quase nada de Cabo Verde antes de chegar. Tive a sorte de conhecer as 9 ilhas habitadas, e cada uma delas  chamou me a atenção de uma forma singular.

COC: Como foi a integração no país e no panorama desportivo - falando da convivência com os agentes desportivos?

LM: Não é sempre fácil adaptar-se completamente num país estrangeiro, ainda mais quando consideramos as grandes diferenças sociais e culturais que existem entre Cabo-Verde e França. Graças à minha curiosidade e sobre tudo à cultura acolhedora dos Cabo-verdianos, tive a oportunidade de sentir-me em casa pouco a pouco.

No panorama desportivo, a minha integração foi bem fácil, já que o interesse comum pelo desporto facilita as conversas e a criação de ligações privilegiadas. Eu tive excelêntes relações com os meus colegas no Comité, mas também com membros das diferentes Federações e instituições filiadas, particularmente graças à organização das aulas de francês que tiveram lugar durante o ano. Tenho confiança na próxima voluntaria para reavivar as aulas, que podem ser de grande utilidade para os agentes desportivos.

COC: Como foi se envolver em outros projetos, que não do ensino da língua francesa, por exemplo o M-Olympics?

LM: O meu envolvimento no projeto M-Olympics (e em paralelo em vários eventos Desporto para a Vida) começou no mês de abril e resultou ser muito interessante e beneficiário para mim. Além das experiências de organização e planificação que me trouxe este projeto, gostei muito de participar das formações e eventos desportivos no mesmo âmbito. Na minha opinião, a melhor recompensa para o nosso trabalho é ver as crianças se divertirem e praticarem desporto no campo com tanta vitalidade e alegria.

Não esqueço também os outros eventos mais “institucionais” organizados pelo COC ao longo do ano, como o Fórum Mulher e Desporto ou o Seminário dos Secretários Gerais da ACNOA, que foram muito interessantes e enriquecedores também.

COC: Queria dar mais de si para a concretização de mais projetos?

LM: Conhecer o contexto local, a língua, os atores, a organização e as estruturas institucionais, as forças e debilidades de um determinado espaço é para mim um elemento fundamental para alcançar os objetivos de qualquer projeto, para que seja positivo e bem-sucedido. A minha experiencia aqui pode permitir mais eficiência para conduzir e acompanhar projetos, mesmo com a distancia geográfica. Já falei para a Presidente do COC, Filomena Fortes, e o Secretario Executivo, Leonardo Cunha, que estou à disposição para discutir de eventuais colaborações ou apoios no futuro.

COC: O que pensa do desporto em Cabo Verde e a forma como é usada para transmitir valores?

LM: Não me levou muito tempo para perceber que Cabo Verde tem um grande potencial desportivo, considerando o interesse das pessoas, as condições físicas de muitos jovens e crianças, e as condições naturais do país que permitem praticar uma diversidade importante de modalidades. Eu concordo plenamente com a visão do COC, que tenta diversificar a pratica desportiva em Cabo Verde, tanto relativo aos praticantes, trazendo cada vez mais mulheres, raparigas e meninas nos campos desportivos, como relativo às modalidades, apoiando a criação de novas instituições e difundindo a energia desportiva do país além das modalidades mais importantes.

O mais importante é que cada pessoa, e particularmente as mais jovens, tenha a oportunidade de descobrir a modalidade que melhor lhe-corresponde, para que possa ver na prática da mesma, uma ferramenta de desenvolvimento e de realização pessoal, e para inspirar os outros na sociedade.

COC: Algum conselho pertinente a deixar-nos?

LM: Estou profundamente convencido que o desporto, quando está bem utilizado, pode ser um fantástico meio para apagar ou pelo menos diminuir as barreiras e desigualdades sociais, culturais, as violências de qualquer tipo e os preconceitos. Portanto, o desporto tem uma responsabilidade educativa forte em qualquer sociedade. Acho que tanto o COC como as outras instituições desportivas deste país poderiam aproveitar melhor esta potencia. A limitação dos meios materiais ou financeiros não pode, não deve ser um obstáculo para a realização dos projetos e objetivos. Bem pelo contrário, pode e deve ser compensado com mais energia, mais ânimo, mais perseverança. As melhores medalhas nem sempre são de ouro ou de prata. Atrás de cada campeão olímpico, tem centenas de praticantes, milhares de crianças que correm, saltam, chutam com a mesma paixão. Cada um ao seu nível pode ser útil para o seu país, a sua cidade, o seu bairro. É uma responsabilidade coletiva que implica uma consciência individual para ser eficiente.

Em fevereiro Cabo Verde irá contar com um novo voluntário que, por sua vez, irá dar continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo de 2017.

No âmbito do programa de voluntariado da Associação de Comités Olímpicos Nacionais Francófonos (AFCNO) Cabo Verde recebeu, em 2017, um voluntário francês que esteve envolvido em vários projetos do Comité Olímpico Cabo-verdiano, incluindo o ensino da língua francesa a agentes desportivos.

O programa que renova a cada ano com um novo voluntário, pretende auxiliar os Comité Olímpicos Nacionais (NOCs) ao redor do mundo no dominio da lingua francesa, lingua oficial do Comité Olímpico Internacional, mas também integrar voluntários em projetos dos próprios NOCs.

Nesta entrevista recebemos Léo Moreau que fala da sua expêriência em Cabo Verde, depois de um ano de missão.

COC: Como foi a experiencia no Comité Olímpico e em Cabo Verde?

LM: Foi um ano muito enriquecedor para mim, tanto ao nível profissional como ao nível pessoal. O ambiente de trabalho do COC, muito agradável e solidário, me permitiu integrar-me rapidamente, através do entendimento das missões e das necessidades da instituição, e através da minha aprendizagem progressiva do crioulo. Com o meu interesse pelo desporto e as minhas varias experiencias nesta área, não foi difícil alimentar a minha motivação e melhorar a minha compreensão dos desafios do Comité e do desporto cabo-verdiano.
Além do contexto profissional e de forma mais geral, gostei muito do país, do seu povo e da sua cultura. A história e as heranças complexas deste país me interessaram desde o inicio, enquanto não conhecia quase nada de Cabo Verde antes de chegar. Tive a sorte de conhecer as 9 ilhas habitadas, e cada uma delas  chamou me a atenção de uma forma singular.

COC: Como foi a integração no país e no panorama desportivo - falando da convivência com os agentes desportivos?

LM: Não é sempre fácil adaptar-se completamente num país estrangeiro, ainda mais quando consideramos as grandes diferenças sociais e culturais que existem entre Cabo-Verde e França. Graças à minha curiosidade e sobre tudo à cultura acolhedora dos Cabo-verdianos, tive a oportunidade de sentir-me em casa pouco a pouco.
No panorama desportivo, a minha integração foi bem fácil, já que o interesse comum pelo desporto facilita as conversas e a criação de ligações privilegiadas. Eu tive excelêntes relações com os meus colegas no Comité, mas também com membros das diferentes Federações e instituições filiadas, particularmente graças à organização das aulas de francês que tiveram lugar durante o ano. Tenho confiança na próxima voluntaria para reavivar as aulas, que podem ser de grande utilidade para os agentes desportivos.

COC: Como foi se envolver em outros projetos, que não do ensino da língua francesa, por exemplo o M-Olympics?

LM: O meu envolvimento no projeto M-Olympics (e em paralelo em vários eventos Desporto para a Vida) começou no mês de abril e resultou ser muito interessante e beneficiário para mim. Além das experiências de organização e planificação que me trouxe este projeto, gostei muito de participar das formações e eventos desportivos no mesmo âmbito. Na minha opinião, a melhor recompensa para o nosso trabalho é ver as crianças se divertirem e praticarem desporto no campo com tanta vitalidade e alegria.
Não esqueço também os outros eventos mais “institucionais” organizados pelo COC ao longo do ano, como o Fórum Mulher e Desporto ou o Seminário dos Secretários Gerais da ACNOA, que foram muito interessantes e enriquecedores também.


COC: Queria dar mais de si para a concretização de mais projetos?

LM: Conhecer o contexto local, a língua, os atores, a organização e as estruturas institucionais, as forças e debilidades de um determinado espaço é para mim um elemento fundamental para alcançar os objetivos de qualquer projeto, para que seja positivo e bem-sucedido. A minha experiencia aqui pode permitir mais eficiência para conduzir e acompanhar projetos, mesmo com a distancia geográfica. Já falei para a Presidente do COC, Filomena Fortes, e o Secretario Executivo, Leonardo Cunha, que estou à disposição para discutir de eventuais colaborações ou apoios no futuro.


COC: O que pensa do desporto em Cabo Verde e a forma como é usada para transmitir valores?

LM: Não me levou muito tempo para perceber que Cabo Verde tem um grande potencial desportivo, considerando o interesse das pessoas, as condições físicas de muitos jovens e crianças, e as condições naturais do país que permitem praticar uma diversidade importante de modalidades. Eu concordo plenamente com a visão do COC, que tenta diversificar a pratica desportiva em Cabo Verde, tanto relativo aos praticantes, trazendo cada vez mais mulheres, raparigas e meninas nos campos desportivos, como relativo às modalidades, apoiando a criação de novas instituições e difundindo a energia desportiva do país além das modalidades mais importantes.
O mais importante é que cada pessoa, e particularmente as mais jovens, tenha a oportunidade de descobrir a modalidade que melhor lhe-corresponde, para que possa ver na prática da mesma, uma ferramenta de desenvolvimento e de realização pessoal, e para inspirar os outros na sociedade.

COC: Algum conselho pertinente a deixar-nos?

LM: Estou profundamente convencido que o desporto, quando está bem utilizado, pode ser um fantástico meio para apagar ou pelo menos diminuir as barreiras e desigualdades sociais, culturais, as violências de qualquer tipo e os preconceitos. Portanto, o desporto tem uma responsabilidade educativa forte em qualquer sociedade. Acho que tanto o COC como as outras instituições desportivas deste país poderiam aproveitar melhor esta potencia. A limitação dos meios materiais ou financeiros não pode, não deve ser um obstáculo para a realização dos projetos e objetivos. Bem pelo contrário, pode e deve ser compensado com mais energia, mais ânimo, mais perseverança. As melhores medalhas nem sempre são de ouro ou de prata. Atrás de cada campeão olímpico, tem centenas de praticantes, milhares de crianças que correm, saltam, chutam com a mesma paixão. Cada um ao seu nível pode ser útil para o seu país, a sua cidade, o seu bairro. É uma responsabilidade coletiva que implica uma consciência individual para ser eficiente.

Em fevereiro Cabo Verde irá contar com um novo voluntário que, por sua vez, irá dar continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo de 2017.